CPI do Hospital aponta esquema de lavagem de dinheiro e obras superfaturadas

Hospital de Caridade greve

A CPI do HCC foi instaurada no primeiro semestre de 2017.

Na última segunda-feira (19), na sessão das 13h, a Câmara de Vereadores de Canguçu levou a votação o relatório de mais de 90 páginas da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga os 10 últimos anos do Hospital de Caridade de Canguçu (HCC). Apenas o vereador Erroldisnei Borges (PT) deu voto contrário.

O relator Luciano Bertinetti (MDB) leu as oitivas antes da votação. Segundo ele, após a conclusão do relatório, o responsável pela construtora Fininho, única empresa que prestou serviços ao HCC, registrada junto a Receita Federal poucos meses antes da intervenção por parte do Poder Executivo, entrou em contato com o vereador para declarar que havia emprestado as notas para outra pessoa realizar os serviços que, só em mão de obra, ultrapassaram R$ 113 mil.

Segundo o relator, serão preservados os depoente e envolvidos até o Ministério Público e a Polícia Federal investigarem, visto que, segundo ele “são acusações graves de um esquema de lavagem de dinheiro no período da intervenção”. O relatório já previa que, neste período, havia uma grande disparidade de valores de orçamentos, e altos custos em relação ao valor trabalhado na região, que apontavam para serviços superfaturados.

TUDO SOBRE A CPI DO HOSPITAL

Durante as investigações, foram aceitas somente as denúncias com a identificação do autor, o sigilo sobre documentos e autores de acusações foi garantido. Entre as dificuldades, a maior delas, segundo a comissão, foi o acesso aos documentos, uma vez que a presidência da instituição atendeu parcialmente a entrega dos papéis solicitados.

O relatório final foi dividimos em 3 partes: período pré intervenção, período intervencionista, e período pós intervenção. No texto, os problemas de cada gestão são apresentados em escala temporal, embasados em declarações e análises de documentos, por um perito, contratado pela Câmara exclusivamente para o serviço.

No período pré-intervenção foram apontados improbidades administrativas e má gestão. Entre eles, por exemplo, estão os contratos com comissão de produtividade de 1%, gerando alta lucratividade para gestores.

Já na intervenção, aconteceram pontos críticos, como gastos de mais de R$ 12 mil em 2 máquinas de café e mais de R$ 9 mil em chocolate e café em pó, além da contratação de uma  microempreendedora individual (MEI), que segundo a lei, só pode contratar 1 empregado, para prestar serviços de portaria 24 horas.

Segundo o relator, o gasto total com a empresa JB comércio de máquina cafés limitadas, feito pelo gestor na época, Luís Roberto da Silva Boemeke foi de R$ 23.085,00, sendo R$ 13.860,00 na aquisição de bens: 2 máquinas de café que custaram R$12.780,00 e dois balcões para as máquinas a um custo de R$ 1.080,00 e R$ 9.225,00 reais em insumos.

Posteriormente outros produtos foram adquiridos com a empresa. De novembro de 2013 a dezembro de 2014 foram gastos R$ 23.085,00. Alguns meses após o término do segundo período do gestor, as cafeteiras foram vendidos com um prejuízo de cerca de 50%.

Durante as entrevistas, promovidas pela CPI, o ex-gestor teria se referido ao custo das máquinas como “apenas R$ 4 mil”. Para o relator, “foi uma atitude de zombar da população trabalhadora, escarneando da grande maioria do povo que tem salário muito inferior a esse valor.”

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