Prefeitura estima aumento de R$ 1,8 milhão nos repasses ao Hospital de Caridade em 2019

Cálculos recentes apontam que o valor total das dívidas do HCC já ultrapassa R$ 25 milhões.
Foto: Jornal Canguçu Notícia

Nos últimos meses, a Administração Municipal realizou repasses emergenciais ao Hospital de Caridade de Canguçu, além do recurso mensal de R$ 221 mil. 

Ao total, mais de R$ 800 mil foram encaminhados a casa de saúde, sendo R$ 210 mil da devolução de verba da Câmara de Vereadores, além de outros dois recursos que viabilizaram o pagamento dos 13º salário dos funcionários, que estavam em atraso há dois anos.

Em junho deste ano, a Associação do Hospital de Caridade de Canguçu convocou todos os associados para uma Assembleia Extraordinária em caráter de urgência. Entre as pautas da reunião, estava a solicitação ao Poder Executivo para que assumisse a gestão da Unidade Hospitalar.

RELAÇÃO EXECUTIVO X HOSPITAL DE CARIDADE

Para a Secretária de Saúde Míriam Neutzling, a Administração Municipal tem buscado ajudar a instituição a superar o momento de dificuldades. Segundo ela, o hospital precisa voltar a ser referência na região, e além de ter um potencial grande para isso, teria estrutura física para aumentar as especialidades.

“A Secretaria de Saúde não tem condições financeiras de assumir o hospital. O Município está esperando os repasses do Estado. São quase R$ 3 milhões de atraso. Estamos dando suporte e auxílio necessário para que a instituição consiga vencer esse momento de dificuldade”. — explicou Míriam.

Ainda segundo a secretária, os contratos de aproximadamente R$ 210 mil, que a Secretaria tem com o HCC estão sido pagos em dia, para os serviços de pediatria, ginecologista, obstetrícia, anestesiologia, e o segundo plantão. A consultoria do Sírio Libanês, custeada pelo Banrisul, deverá apontar até o final do ano se o Hospital realmente terá que fechar as portas ou terá condições de se reerguer e poderá seguir atendendo.

“Estamos estudando a melhor maneira para que o hospital não feche e a população não fique desassistida. Ainda não está nada definido. Estamos em reunião, estudando o processo junto ao jurídico para que não aconteça nenhum equívoco e tenhamos que voltar atrás na nossa decisão.” — completou a secretária.

AUMENTO NOS REPASSES

Em entrevista concedida ao Jornal Canguçu Notícia, nos últimos dias, o prefeito Vinicius Pegoraro (MDB) ressaltou a importância da consultoria que o Hospital Sírio Libanês está realizando na instituição, custeada pelo Banrisul.

“São duas etapas: análise de gestão de rotinas dentro do hospital, perfil epidemiológico da micro-região, que está inserido, e a parte econômica financeira em que o Banrisul vai auxiliar na possibilidade de consolidar as dívidas, criando um leilão delas e promovendo um refinanciamento dos débitos.” explicou o prefeito.

Além da consultoria, o chefe do Executivo destacou a previsão de um aumento no repasse da Prefeitura à instituição, dado a aprovação da revisão da nova planta de valores do Imposto Predial Territorial Urbano (IPTU).

“Para o ano que vem está previsto um aumento de 1,8 milhão ao Hospital de Caridade. A gente tem uma previsão de acréscimo de 3 milhões nos cofres municipais, da revisão do IPTU. Esse recurso vai propiciar rever contratos médicos, ajudar no endividamento financeiro e colocar a casa de saúde a funcionar.” — completou Pegoraro.

A ANGÚSTIA DOS FUNCIONÁRIOS

Nos últimos dias, os corredores da casa de saúde tem sido de silêncio e olhares angustiados. Houve pelo menos um pedido de demissão, logo após o retorno da funcionária da licença-doença, concedida por depressão e stress.

“A situação é crítica lá dentro. Alguns colegas já estão com dificuldade para comprar comida. Semana passada precisamos nos reunir para ajudar uma colega a comprar medicamentos para o filho. Estamos esgotados. Já são 3 anos nessa luta de salários atrasados e não vemos um horizonte.” —  explicou a  técnica de Enfermagem do HCC e representante da categoria, Luciara Luna Lira.

FOGO CRUZADO

Não bastasse a incerteza dos funcionários, a presidente do Sindicato da Saúde de Pelotas e Região, Bianca Carla esteve em Canguçu e comunicou a imprensa, em tom de denúncia, que a diretoria teria cancelado as internações pelo Sistema Único de Saúde (SUS), mas os médicos estariam coagindo os funcionários da casa para que fossem realizadas as cirurgias eletivas particulares.

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