Revisitando a História: Breve Resgate do Povo Pomerano em Canguçu

Revisitando a História

 

O amigo Nilso Pinz inicia seu belo trabalho de pesquisa intitulado “Breve Resgate do povo pomerano e seus reflexos históricos e culturais no município de Canguçu” com as seguintes citações:

“ Travou-se, assim, uma luta pela sobrevivência, que, pelas condições sob as quais foi travada se constitui — e permanece até hoje — uma das mais belas e épicas páginas de nossa História.” — Jairo Scholl Costa — Livro: São Lourenço do Sul- 100 anos- 1884 a 1984- pg. 53.

Palavras carregadas de verdade, pois acredito que elas sintetizam a essência deste povo trabalhador, que semeou o solo e com paciência esperou que a semente frutificasse, unidos em um esforço comum, para ver realizado o sonho de uma vida mais farta. Sonho este que os trouxe para a terra brasileira, mais precisamente o nosso Rio Grande do Sul, para por fim, semear em solo canguçuense sua perseverança e sua rica cultura.

Como gaúchos que somos, sabemos que a História do nosso Rio Grande apresenta grandes mudanças a partir da chegada dos imigrantes alemães em nossa terra; antes o gado solto pelos pastos, o gaúcho nas lides campeiras domando, troperiando, lutando, defendendo estas terras da entrada dos invasores espanhóis; depois o braço escravo, o charque como a grande riqueza gaúcha, com importância tão significativa a ponto de manchar de sangue coxilhas e canhadas na maior epopeia desta terra, a revolução Farroupilha.

“Quantas riquezas nas festas desse povo! Quanta riqueza nos seus costumes, no seu folclore! Quanta Simbologia! Ainda é momento de resgatar estas riquezas em todas as áreas da vida, na atual caminhada do povo pomerano em solo gaúcho.”Helmar Reinhardd Rölke – Livro: Descobrindo Raízes- Aspectos Geográficos, Históricos e Culturais da Pomerania – pg. 90

Depois os imigrantes alemães e na nossa região principalmente os pomeranos, carregados de esperança e de sonhos, deixaram sua terra e para cá vieram… A esperança era tanta que não prestaram atenção ao velho ditado “Quando a esmola é demais o santo desconfia”. Bem assim, não desconfiaram e encontraram dura realidade, mas ainda bem que vieram colorir este pampa.

E os colonos plantaram, colheram e mudaram costumes. O campo não viu mais apenas o gado, viu sementes que germinavam e se transformaram em lavouras e hortas, e depois  em alimento.

As festas nunca mais foram as mesmas, a alegria das bandinhas, a comida farta, a culinária com suas cucas, pães de forno, galinhas e patos assado, além de outras delícias, foram conquistando seu espaço e a integração entre as famílias mostra o quanto gostam de viver em grupos e o quanto precisaram se unir para vencerem os desafios que a nova terra lhes havia imposto, mas eles a tudo venceram porque sua força estava alicerçada na sua religiosidade, no sentimento de gratidão de homens, mulheres e jovens que reservavam o domingo para louvar e agradecer a Deus.

Por tudo isso… pela perseverança, pela força produtiva, pela capacidade de trabalhar a terra sem jamais esmorecer, não poderia deixar passar esta data sem homenagear o nosso colono e ressaltar que o ofício dos pioneiros junto a terra frutificou.

E seus descendentes souberam muito bem continuar a obra iniciada, pois graças ao trabalho fecundo e perseverante destes imigrantes e seus descendentes, nosso município já se colocou em vários momentos de sua história, como grande produtor de soja, milho, fumo e pêssego, sempre contando com o labor incansável do nosso colono.

Aproveito a oportunidade para parabenizar colonos e motoristas pela data dedicada a estes valorosos trabalhadores e relembrar a inauguração do monumento ao imigrante ocorrido há 39 anos. Semear, colher e alimentar os povos, eis uma nobre missão.

Foto: Geraldo Dannenbeg

 

 

 

SOBRE A COLUNISTA:: Miriam Zuleica Reyes Barbosa, formada em História pela Universidade Católica de Pelotas, é Professora da Rede Municipal e Acadêmica da ACANDHIS (Cadeira nº 6). Zuleica mantém em paralelo seu blog De Cangussú à Canguçu, Muitas Histórias.

 

 

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