Revisitando a História: Como era viajar de Canguçu à Pelotas nos Anos 70

Foto: Acervo Desconhecido/Facebook

Revisitando a História

Na agitação do dia a dia e com as inúmeras facilidades que a vida moderna nos apresenta, acabamos esquecendo das dificuldades do passado e muitas vezes o passado nem está tão distante.

Me propus a relembrar como eram realizadas as viagens para a vizinha cidade de Pelotas, hoje uma viagem tão normal que podemos realiza-la mais que uma vez no dia, se assim desejarmos.

Lembro a primeira vez que fui a Pelotas. Eu era pequena, fui com a prima da minha mãe, Cleusa Porto Garcia, viajamos no ônibus da empresa Pothin, ainda não estava concluída a estrada da “Produção”- BR 392.

Fomos então pelo trajeto habitual via Morro Redondo, lembro que paramos na casa da Sra. Aldhá Morales, a fim de esperar outro ônibus e eu fique encantada olhando os pintinhos e patinhos que andavam no terreiro, depois fiquei mais encantada com Pelotas, era uma cidade muito grande, com prédios muito altos, o meu espanto com os prédios se deu, com certeza, porque em Canguçu não havia ainda nenhuma casa com mais que dois andares.

Essa viagem se deu no início da década de 1970, mas com certeza antes disso era bem mais difícil e desconfortável chegar até Pelotas. Porém, por não sabermos como era realizado este trajeto, ou pela facilidade de realiza-lo nos dias atuais, não nos damos por conta das dificuldades do passado.

Segue uma matéria bastante interessante veiculada em um jornal da época…

NOVA LINHA DE DILIGÊNCIAS ENTRE PELOTAS E CANGUÇU DE RIBEIRO E COMPANHIA

Comunica ao público que encetou a carreira desta diligência entre esta vila e Pelotas, observando o seguinte itinerário: Saída de Canguçu aos domingos; Saída de Pelotas às sextas-feiras,

Ida e volta 30R$000 ( 30 mil réis); cada passageiro tem direito a 5 quilos de bagagem, o excedente pagará 400R$ ( réis) por quilo. O assinante pagará por volta de 28R$000, com direito a 7 quilos de bagagem, o excedente pagará 400R$ ( réis) por quilo.

O assinante tem direito a remeter encomenda com peso de 2kg. A assinatura mensal é 2R$000. Carta seladas 100 e 200 R$ Agente nesta vila, José Bernardino Viana e em Pelotas os empresários. Rua General Vitorino.

Fonte: Jornal “O Iris” de 28.06.1896- Arquivo Histórico do Museu Municipal Cap. Henrique José Barbosa

 

 

 

SOBRE A COLUNISTA:: Miriam Zuleica Reyes Barbosa, formada em História pela Universidade Católica de Pelotas, é Professora da Rede Municipal e Acadêmica da ACANDHIS (Cadeira nº 6). Zuleica mantém em paralelo seu blog De Cangussú à Canguçu, Muitas Histórias.

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