O cenário desenha-se extremamente favorável para o agronegócio brasileiro no ciclo 2025/26. Um relatório recente do Serviço Agrícola Estrangeiro (FAS), vinculado ao Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), aponta para uma safra histórica de soja no Brasil, impulsionada tanto por condições climáticas benéficas quanto por uma demanda internacional robusta, liderada incansavelmente pela China. A projeção é que a produção atinja o impressionante patamar de 177 milhões de toneladas, o que representa um crescimento de 3,2% em relação ao ciclo anterior.
Avanço no plantio e expansão de área
No campo, o ritmo é acelerado. Até a segunda quinzena de dezembro, o plantio já cobria quase 98,5% da área projetada. Em estados-chave como Mato Grosso, Paraná, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, São Paulo, Bahia e Tocantins, os trabalhos já foram praticamente finalizados. O relatório do FAS estima que a área destinada à oleaginosa alcance 49,1 milhões de hectares, consolidando um aumento de 3,1% na comparação anual.
Esse volume massivo de produção tem destino certo. As exportações para a temporada 2025/26 são estimadas em 113 milhões de toneladas, uma alta de 3,7% sobre a estimativa de 2024/25. O apetite chinês continua sendo o grande motor desse crescimento; para se ter uma ideia, os embarques para o país asiático entre janeiro e novembro saltaram 16,5% em comparação com a temporada passada.
O impulso do biodiesel no mercado interno
Não é apenas o mercado externo que dita o ritmo. A indústria doméstica vive um momento de otimismo gerado pela produção de óleo de soja, estimada em 12,3 milhões de toneladas — um aumento de 4,1%. O principal vetor desse crescimento é a alteração na mistura obrigatória de biodiesel, que passou de 14% (B14) para 15% (B15) em agosto de 2025. E o cenário pode ficar ainda mais aquecido, já que o setor vislumbra uma possível elevação para B16 já em março.
Essa mudança regulatória deve aquecer a demanda doméstica, animando tanto produtores quanto processadores, visto que o óleo de soja responde por cerca de 75% da produção de biodiesel no Brasil. Com o mandato do B15, espera-se que mais de 7 milhões de toneladas de óleo sejam destinadas a esse segmento, um salto de 9% em relação ao consumo observado em 2024.
Pioneirismo em Combustível Sustentável de Aviação (SAF)
Em meio a esses números superlativos de produção, o setor também celebra avanços qualitativos importantes. A operação brasileira da Bunge tornou-se a primeira empresa a certificar a soja para uso na produção de combustível sustentável de aviação (SAF). A certificação segue o protocolo ISCC CORSIA PLUS, um padrão avançado reconhecido pela Organização da Aviação Civil Internacional (OACI).
A certificação, concedida pela SCS Global Services, aplica-se à unidade da empresa em Rondonópolis, no Mato Grosso. O reconhecimento inclui o selo Low-LUC, que atesta o baixo risco de mudança indireta no uso da terra. Isso é crucial, pois garante que a soja certificada provém de áreas com melhores práticas de manejo e produtividade, sem estar associada a novas expansões agrícolas, alinhando-se ao programa CORSIA para incentivar combustíveis renováveis no transporte aéreo global.
Esmagamento e exportação de farelo
Por fim, a cadeia produtiva fecha o ciclo com números sólidos no processamento. O esmagamento da soja deve render 46,1 milhões de toneladas de farelo. Desse total, mais da metade — cerca de 52%, totalizando 24 milhões de toneladas — será destinada à exportação na safra 2025/26.
Já em 2025, o volume exportado ultrapassou 21,3 milhões de toneladas, com estimativa de fechar dezembro acima de 23,4 milhões. A Indonésia mantém-se como o principal destino do farelo brasileiro, seguida pela Tailândia e pela Europa, confirmando a onipresença da soja do Brasil em diversos segmentos do mercado global.