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A Engrenagem da Transmissão: Do Domínio da Taesa no Brasil às Novas Fronteiras de Engenharia no Leste Europeu

Quem acompanha o pregão sabe que papéis do setor elétrico costumam funcionar como a âncora de muitas carteiras. Olhando para a tela, com a unit da Taesa (TAEE11) rodando ali na casa dos R$ 39,40 — refletindo uma leve variação diária de -0,28%, espremida entre a mínima de R$ 39,06 e a máxima de R$ 39,61 — fica claro o peso desse ativo, que chega a girar um volume financeiro robusto de R$ 32.445.262,00 em um único dia. Mas a Transmissora Aliança de Energia Elétrica S.A. passa longe de ser apenas um ticker na tela da B3. Estamos falando de um dos maiores grupos privados de transmissão de energia do Brasil, uma empresa que basicamente costura o país de ponta a ponta. São 9.868 quilômetros de linhas e 909 subestações espalhadas por 17 estados em todas as regiões, o que garante à companhia o controle de 36 concessões sob o seu guarda-chuva.

Para entender a máquina de fazer dinheiro que é a Taesa, você precisa olhar para o Sistema Interligado Nacional (SIN). É nesse polvo infraestrutural, gerenciado pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), que a empresa opera e ajuda a garantir o abastecimento de cerca de 98% do mercado brasileiro de energia. A regra do jogo entre a concessionária e o ONS é amarrada pelo Contrato de Prestação do Serviço de Transmissão (CPST), que dita toda a parte técnica e comercial. A lógica é até simples: a Taesa assume a bucha de operar e manter as instalações funcionando redondinho e, em troca, pinga na conta a famosa Receita Anual Permitida (RAP). Se a linha cai ou fica indisponível, a receita toma um corte proporcional; se a disponibilidade é garantida, o fluxo de caixa segue forte.

E o crescimento histórico impressiona. Em um intervalo de dez anos, a empresa saltou de 8 para 36 concessões, multiplicando o valor total da sua RAP por mais de três vezes. Para dar uma dimensão financeira desse modelo, a RAP aprovada para o ciclo de 2019-2020 bateu a casa dos R$ 2,6 bilhões. Isso logo após a companhia ter entregado um Lucro Líquido IFRS de aproximadamente R$ 1 bilhão em 2018.

Essa musculatura toda foi construída aos poucos. A semente foi plantada lá no ano 2000 com a criação da TSA e da Novatrans, empresas que, três anos depois, foram compradas de um consórcio local pela italiana Terna S.p.A. A roupagem corporativa mudou em 2006, quando o grupo foi batizado de Donnery Holdings S.A. e já emendou sua abertura de capital. Dali em diante, a companhia foi às compras. O ano de 2008 marcou a criação da Taesa Serviços e, em 2010, o grupo absorveu de vez uma série de operações: Alterosa, Alvorada, TSN, ETEO, Novatrans e a própria Taesa Serviços. Ganhando cada vez mais tração, a empresa fez um follow-on em 2013 que levantou R$ 1,3 bilhão no mercado. Hoje, a estrutura de capital é consolidada no Nível 2 da bolsa, abrigando ações ordinárias (TAEE3), preferenciais (TAEE4) e units (TAEE11), além de manter uma presença pesada no mercado de dívida com debêntures de várias séries circulando na praça.

O Outro Lado da Moeda: A Engenharia por Trás da Expansão Global

Enquanto no Brasil a gente vê a operação e manutenção de linhas de transmissão já nesse nível de consolidação financeira e operacional, a base que sustenta essa rede — o design e a engenharia pura e dura — continua se movimentando agressivamente em outras partes do globo. Áreas que precisam modernizar ou até reconstruir suas matrizes energéticas demandam uma capacidade de execução técnica altíssima. Um movimento recente na Romênia ilustra muito bem como o mercado de infraestrutura de energia está se organizando para dar conta desses desafios.

A Electro-Alfa International, uma fabricante romena de equipamentos elétricos com bastante estrada, acabou de fechar uma parceria de peso com a New Protocol Group, que é focada em soluções renováveis. Desse aperto de mãos nasceu a Alfa New Protocol Engineering. A nova companhia não entra no jogo para fabricar peças, mas sim para operar como um verdadeiro hub de engenharia, consultoria e gestão técnica. O alvo deles são projetos de infraestrutura energética de alta complexidade. E o radar não está restrito ao quintal romeno; eles já estão mirando pesado em mercados vizinhos que clamam por reestruturação, como Moldávia e Ucrânia.

O portfólio inicial dessa joint venture já nasce focado no desenho técnico de ativos parrudinhos, cobrindo níveis de tensão que vão de 20 kV até 400 kV. Isso envolve colocar no papel desde a infraestrutura de distribuição e transmissão até instalações primárias e secundárias, sistemas de proteção, automação, comandos de controle e toda a obra civil associada. Para George Ciubotaru, vice-presidente do conselho da Electro-Alfa, a jogada é estratégica. Ele entende que, ao misturar a experiência da velha guarda industrial com a visão de renováveis, a Alfa New Protocol Engineering tem tudo para se tornar uma peça-chave na expansão da infraestrutura regional.

A divisão de forças faz sentido. A Electro-Alfa assume a liderança do negócio com 51% de participação, deixando os 49% restantes com a New Protocol, que entra com o know-how em pesquisa aplicada e desenvolvimento de infraestrutura renovável. E a Electro-Alfa tem cancha de sobra para ancorar o projeto: a empresa carrega nas costas 35 anos de atuação com equipamentos de média e baixa tensão, obras de engenharia, suprimentos (EPC) e eficiência energética. Eles rodam quatro unidades de produção que somam 25 mil metros quadrados de área, possuem um centro próprio de pesquisa e desenvolvimento e já atendem uma carteira com mais de 500 clientes no mercado interno e internacional. No fim das contas, é exatamente esse tipo de engenharia de ponta que permite que gigantes da transmissão operem suas redes complexas com a segurança que os mercados exigem.